sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Bali: diminui possibilidade de países em desenvolvimento aceitarem redução obrigatória de emissões

Hoje (07/12/2007), em Bali, na Conferência da ONU em que se discutiu como se combater as alterações climáticas depois de 2012, diminui a possibilidade de países em desenvolvimento de aceitarem as reduções obrigatórias de Gases de Efeito de Estufa (GEE)




Yvo de Boer, secretário executivo da convenção Quadro da ONU para as alterações climáticas, comentou “Os compromissos obrigatórios para os países em desenvolvimento não estão fora da mesa de negociações mas estão a resvalar para a borda”.

Em Bali estão 190 países para acordar um roteiro de negociações sobre o sucessor do Protocolo de Quioto, que termina em 2012.

Os delegados têm que agradar os países ricos, como os EUA e o Japão, que querem que os PED façam mais pelo clima, tanto à China e Índia, que desejam ter acesso a tecnologias mais limpas e ajuda financeira para enfrentarem os desafios do clima. Mas De Boer afirmou que a maior parte dos países ricos aparentam ter concordado que é ainda cedo para esperar que os PED aceitem as reduções.

Na China, as emissões de GEE per capita são de cerca de 4 toneladas contra as 20 toneladas dos Estados Unidos.

Este fim-de-semana, os ministros do Comércio vão reunir-se à margem da conferência para debater uma proposta da União Europeia e EUA para reduzir os impostos sobre tecnologias amigas do Ambiente.

De Boer defendeu uma mudança de fundo no mundo das finanças, referindo-se a um relatório da ONU de Agosto segundo o qual são necessários investimentos de 200 a 210 mil milhões de dólares (136 a 148 mil milhões de euros) até 2030, em áreas como as energias renováveis e nuclear, para reduzir as emissões.

Hoje, crianças da Europa, Austrália e Pacífico entregaram um relatório, segundo o qual cerca de 130 mil crianças caminharam uma distância total de 1,5 milhões de quilómetros – o equivalente a dar 36 voltas ao planeta – ao reduzir viagens que, normalmente, envolveriam a utilização de automóvel ou transportes públicos.

Quioto impõe uma redução média de 5,2 por cento das emissões a 36 países industrializados, a níveis de 1990, até 2008-2012.

A conferência ficou marcada pela participação de Christopher Monckton of Brenchley, famoso pela sua posição de negação face às alterações climáticas, que veio “restabelecer a verdade” em Bali.

“Não existem alterações climáticas significativas”, disse o antigo conselheiro da ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, acrescentando que o Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) multiplica por 20 os efeitos reais do dióxido de carbono na atmosfera. Além disso, defende que o sobre-aquecimento não está ligado à actividade humana.


Fonte: Publico

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